O Circuito
Ainda no Brasil continua-se com aquela mentalidade de povo oprimido.
Mais fácil que dizer se deve ou não ter papel ostensivo, assumir responsabilidade na hora das cagadas, o brasileiro prefere dizer: somos pobres, somos burros, somos assim mesmo.
E essa é uma ótica lançada todo dia, em todos os momentos, e não seria por falta de vontade que isso não seria a tônica do ambiente de arte no país.
Nas mostras, nos concursos e nas escolas de arte vemos a submissão.
E em SamPa isso fica mais evidente.
Por ser metrópole católica e caótica SamPa tem um protocolo de ação. Nada escapa de suas regras pré-aprovadas e reestabelecidas. Como uma grande cidade-do-interior-que-ficou-grande-de-repente tem seus maniqueísmos e seus maneirismos. São Paulo é a terra do Caipiromêtro.
Mas aprender o Protocolo não é tarefa fácil. Tens que ser um exímio seguidor de burocracias e linguajar. Tens que ter a estrutura gramatical adequada, a reação e a resposta protocolar, seguida de perto, exímia, de rigor absoluto. Como todo Idioma seria fácil de se aprender caso houvesse um dicionário ou um curso que o ensinasse. Não é assim. Este Protocolo é conhecido, mas não é falado em público. Parte de sua regra diz que somente pessoas inteligentes e influentes sabem como ele é. E aos ignorantes resta somente admirar o discurso “tão-belo” dos sumos sacerdotes protetores da arte e do orçamento artístico.
Nos concursos que visam promover a “Nova Arte” premiam sempre os mesmos. Propostas incompletas ou não protocolares são rejeitadas. Vanguarda? Novas mídias? Novas tecnologias? Somente as certificadas e/ou copiadas de algum festival europeu. Coaching parece ser uma palavra nunca encontrada em nenhuma dessas instituições beneméritas promotoras dos mesmos.
Escutei recente que a proposta de um amigo havia sido recusada em um concurso porque sua obra tinha “problemas de montagem”.
Ou então outro eliminado: o motivo seria que o artista está muito no centro da obra. Ora, o teatro o que é? A dança, a videodança… Existe o monólogo, existe a obra na qual o artista é paródia de sua própria obra…
De qualquer forma são recusas com respostas evasivas, ou mesmo não há respostas. E também não há explicação do porquê, nem preocupação em ensinar.
Também existem os aproveitadores. Aqueles que criam os Outlets das Artes. Com desprezo total a estética e a valorização espacial. Até a Feira da Benedito Calixto respeita melhor o espaço que estes bizarros lugares.
A aberração as vezes é política. Não tão recente soube de um curador que sugeriu um poema de um autor adorado por fascistas como briefing de uma inauguração.
E daí elegem-se os mesmos. Parece ser o mesmo príncipio seguido pela política nacional, pela seleção social e pela vontade (?) do povo.
É como uma ação entre amigos.
Tudo porque os outros, os eliminados teimam em entrar no CIRCUITO.
Cabe ao revolucionário ir CONTRA O CIRCUITO. Criar o CURTO CIRCUITO para que esta máquina provedora de merda parece de funcionar.
O sistema sempre é o mesmo.
No Supermercado só entram mercadorias classificáveis, que caibam na prateleira.
No Mercado da Arte só entram artistas classificáveis, que caibam nos catálogos.
Quem não é prateleira, nem Sopa pra viver em PANELAS segue o próprio rumo e obtem sucesso. Como num mantra sagrado a energia juvenil e revolucionária permanece em nossos corações.
E é essa energia, somente ela, que pode causar o Curto Circuito.
A ARTE VERDADEIRA tem público, renda e não recebe dinheiro sujo de um fundo excuso.
A ARTE VERDADEIRA sobrevive e vira referência. Cria vulto, vira um titã. Vira o caminho de expressão e libertação mental de muitos, por ser sinérgica e presente.
E ao jovem artista que sofre com falta de dinheiro, mas investe todo seu suor no sucesso e na expressão de sua ARTE fica a dica: a ARTE VERDADEIRA sempre é recompensada, mais cedo ou mais tarde, pois trata de luta ganha que exige perseverança.
E com a segurança da experiência torna-se mais forte do que os Cartéis e Oligarquias que ainda teimam em existir.
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