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Cientistas criticam proposta de ´direitos para robôs´

Debate também quer definir responsabilidades para atos de máquinas autônomas

LONDRES - Cientistas criticaram nesta terça-feira um estudo encomendado pelo governo britânico que sugere que robôs inteligentes podem um dia ter direitos similares aos dos seres humanos.

Em um encontro, os especialistas debateram o documento Robo-rights: Utopian Dream or Rise of the Machines? (Direitos dos Robôs: Sonho Utópico ou a Ascensão das Máquinas?, em tradução-livre), publicado em dezembro e que servirá de base para um debate público sobre inteligência artificial no Museu da Ciência de Londres, nesta semana.

O estudo do governo dizia que no caso do desenvolvimento de inteligência artificial as máquinas deveriam ter direitos como seres humanos. Mas para os cientistas, o tipo de questão levantada pelo governo é “uma distração mal-informada” e “sensacionalista” e as discussões deveriam se focar em questões éticas mais urgentes.

Confiança e Ética

Os chamados robôs autônomos podem tomar decisões sem intervenção humana. Eles já vêm sendo usados para fins militares, e têm também o potencial de serem utilizados em diversas áreas, como a indústria do sexo, trabalhos domésticos e na polícia.

“Se receberem direitos completos, os países serão obrigados a oferecer benefícios sociais para eles, incluindo ajuda de custo, moradia e possivelmente atendimento de saúde para consertar as máquinas ao longo do tempo”, diz o estudo.

Para o professor Alan Winfield, da University of West England, “o problema mais urgente e sério é até que ponto a sociedade está preparada para confiar em robôs autônomos e ter confiança nas outras pessoas que cuidam desses robôs”.

Ele chamou a atenção ainda para questões éticas relacionadas ao uso de máquinas inteligentes com fins militares. A fabricante Samsung, por exemplo, desenvolveu um vigia robótico para patrulhar a fronteira entre as Coréias do Norte e do Sul. O robô é equipado com duas câmeras e uma metralhadora.

“Se um robô autônomo mata alguém, de quem é a culpa?”, perguntou.

Responsabilidades

“Hoje em dia, isso não é uma questão porque a responsabilidade é do designer ou do operador do robô; mas à medida que os robôs fiquem mais autônomos, essa linha e a responsabilidade ficam mais borradas.”

Para Noel Sharkey, da Universidade de Sheffield, outros problemas podem aparecer quando os robôs forem transmitidos para operações civis.

“Imagine uma greve de mineiros sendo reprimida por robôs armados com canhões de água”, disse. “Essas coisas estão definitivamente vindo.”

O potencial uso das máquinas autônomas para cuidar de idosos também pode ser problemático, de acordo com Winfield. Ele disse que prevê um futuro onde “é muito mais barato largar vários velhos em um grande hospital, onde máquinas tomam conta deles”.

“Da mesma forma como temos um debate nuclear informado, precisamos contar ao público o que está acontecendo em robótica e perguntar a eles o que querem”, disse.

http://www.estadao.com.br/tecnologia/noticias/2007/abr/24/78.htm

 

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